A transgeneridade é conservadora porque reproduz estereótipos de gênero?

Sobre a ideia de que a transgeneridade seria a nova “cura gay”.

As pessoas que insistem em tentar associar as identidades trans ao conservadorismo, como se os conservadores estivessem muito interessados no direito das pessoas poderem serem trans em nossa sociedade, incorrem em basicamente 2 erros.

Primeiro porque nesses raciocínios, coloca-se que o único “motivo” que levaria uma pessoa a se reivindicar como trans, ou seja, reivindicar uma identidade de gênero que não esteja em acordo com as expectativas sociais que se associam ao gênero pelo qual se é assignado ao nascer, seria uma forma de (auto) alienação. Essas pessoas acham que se as pessoas fossem suficientemente “conscientizadas” de que “não precisam ser trans”, se elas supostamente fossem conscientizadas sobre as normas de gênero em nossa sociedade, elas simplesmente deixariam de serem trans, como num passe de mágica do esclarecimento lógico.

Como se nós só fôssemos trans porque não tivéssemos assimilado suficientemente a ideia presente no seguinte enunciado “você não precisa ser trans” — como se nós já não ouvíssemos isso o tempo todo — ou como se nós só pudéssemos sermos trans pois não fomos ainda conscientizados de que nós podemos sim ser homossexuais cisgêneros — como se uma identidade de gênero não-cis fosse necessariamente uma negação auto alienada da orientação sexual não heterossexual. Como se nós não soubéssemos que poderíamos sermos cis.

Todas essas assunções que colocam a transgeneridade como lugar inadequado do ponto de vista existencial são equívocas.

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