Matteo Badini/ Unsplash.

Sobre exigir “consentimento informado” para jovens menores de idade acessarem bloqueadores de puberdade — assumindo que menores de idade não são capazes de declarar consentimento, então não poderiam acessar esse recurso tão importante no interior de cuidados afirmativos de gênero.

Como disse Zinnia Jones, o argumento que exige consentimento informado deveria ser aplicado justamente para defender que esses jovens tenham acesso a esses medicamentos, porque o objetivo dos bloqueadores de puberdade é precisamente fornecer mais tempo para que estes jovens possam fazer decisões sobre seus corpos com mais informação e esclarecimento.

Se assumimos que precisamos fornecer consentimento informado para alterações corporais se desenvolvam, deveríamos concluir que todos os jovens (incluindo cisgêneros) deveriam então passar por supressores de puberdade, evitando com que certas características se desenvolvam de forma permanente ou mais permanente, e decidirem posteriormente que tipo de alteração corporal desejam…


Uma matéria e entrevista com Eugenia Rodrigues neste jornal revelam a ignorância a respeito do método científico

Imagem: Unsplash.

Se vocês ainda duvidam da aliança entre reacionários bolsonaristas e feministas radicais é só olhar a entrevista que Eugenia Rodrigues deu para o Gazeta do Povo. Eugenia, da página “corpo certo”, milita contra as abordagens de afirmação de gênero, abordagens essas que sabemos por evidências na literatura científica serem as melhores abordagens para a saúde mental de pessoas trans.

Obviamente os comentaristas do Gazeta do Povo não sabem ler artigos científicos, não compreendendo as reais implicações das correções do artigo em questão, de autoria de Richard Bränström e John E. Pachankis, publicado no American Journal of Pshychiatry. …


Como mulheres e homens trans suscitam medo para o separatismo lésbico

Imagem: Amy Ashenden/Pinknews.

Se você quer entender o que assombra o feminismo radical trans-excludente você precisa entender o que está no cerne da ideia de separatismo lésbico, os medos que sustentam a ideia de que seja preciso defender um separatismo, o medo que as lésbicas que se identificam como feministas radicais (ou simplesmente como “lésbicas radicais”) têm do que elas julgam ser o desaparecimento ou mutilação das lésbicas. Este medo é projetado diretamente sobre as pessoas trans, configurando as suas próprias inseguranças sobre as pessoas trans, transformando as identidades transgêneras, sejam de mulheres trans e homens trans, em algo profundamente ameaçador.

Neste paradigma…


Confira uma resenha do artigo de Mizock e Lundquist (2016), publicado na revista Psychology of Sexual Orientation and Gender Diversity

No artigo “Missteps in Psychotherapy With Transgender Clients: Promoting Gender Sensitivity in Counseling and Psychological Practice”, as autoras Mizock e Lundquist (2016), por meio de entrevistas com pessoas trans e pesquisa bibliográfica, elencaram 8 tópicos que expressam os principais erros cometidos pelos profissionais de saúde mental nos processos terapêuticos, em especial, nas psicoterapias. São eles: sobrecarga educativa; inflação de gênero; estreitamento de gênero; evitação de gênero; generalização de gênero; reparação de gênero; patologização de gênero e por último, gatekeeping. Vamos falar um pouquinho de cada um deles aqui!

1. Sobrecarga Educativa

A sobrecarga educativa refere-se à dependência do psicoterapeuta ou do profissional de…


Compreendendo o porquê do artigo de Ramalhete atacar diretamente a dignidade das pessoas trans — e porquê a Gazeta do Povo deveria ser responsabilizada legalmente.

Carlos Ramalhete, no artigo “Lacração e loucura”, publicado na Gazeta do Povo, se refere sistematicamente a Thammy Miranda no feminino, chamando-o de “pobre filha de uma cantora”; “moçoila” e “besteira de gênero”. Thammy, todos sabem, é um homem transexual e recentemente fez uma campanha publicitária para o dia dos pais da Natura. Segundo Ramalhete, Thammy se submeteu a “cirurgias mutiladoras” e “venenos hormonais”. Com isto, o comentarista entende que toda pessoa transgênera que realiza uma alteração corporal se mutila ou se envenena com hormônios.

Alega ainda que Thammy seja uma “pobre moça com problemas mentais sérios ao ponto de mutilar-se…


NURPHOTO VIA GETTY IMAGES/ Huffpost.

Winter et al (2009) realizam um estudo em diversos países através de entrevistas em que foram abordados diferentes aspectos de como as pessoas compreendem as pessoas trans e a variação/transição de gênero. Perguntas como “você acha que mulheres trans podem trabalhar com crianças?”; “pessoas trans são uma influência negativa para as demais?”; “devem ser aceitas pela sociedade?” e “aceitaria um membro da sua família se assumindo como transgênero?” foram feitas, além de se os entrevistados achavam que ser trans era uma doença mental.

Os autores concluem que opiniões negativas, atitudes discriminatórias e desaprovadoras em relação às pessoas trans e suas…


Foto de Cecilie Johnsen no Unsplash.

Do que se trata?
Apesar — ou talvez em função de — do consenso clínico ter se solidificado rapidamente em torno da afirmação de gênero como a melhor abordagem para o cuidado de jovens trans, alguns comentaristas começaram a afirmar que o cuidado afirmativo de gênero é sustentado pela homofobia e talvez até seja equivalente à terapia de conversão gay. Este artigo baseia-se em dados científicos e na história da terapia de conversão para mostrar o quão equivocadas são essas acusações. Uma grande maioria dos jovens trans é queer após a transição. A transfobia — social, parental ou internalizada — é…


Uma reflexão sobre a influência do discurso feminista radical trans-excludente no discurso de homens homossexuais e em não conformidade de gênero.

Vamos abordar e analisar o seguinte post publicado no Facebook, de Jackson Ciccone:

TREJEITOS NÃO DEFINEM SEXUALIDADE — Há homens heterossexuais, homens bissexuais e homens homossexuais que são efeminados. Ser efeminado é um trejeito biopsicossocial, por exemplo, a voz aguda de alguns homens. Contudo, há uma diferença entre trejeito efeminado e estereótipos femininos. Os estereótipos femininos são um conjunto de estereótipos relacionado às mulheres, por exemplo, um homem que usa maquiagem não é necessariamente efeminado, mas sim um performer dos estereótipos femininos. …


Variações na expressão de gênero representam dimensões normais e esperadas do desenvolvimento humano. Elas não são consideradas patológicas. A promoção da saúde para todos os jovens incentiva a exploração aberta de todas as questões de identidade, incluindo as de orientação sexual, identidade de gênero e/ou expressão de gênero, de acordo com as diretrizes de práticas reconhecidas (1, 2). Pesquisas demonstram consistentemente que jovens de gênero diverso que são apoiados em viver e/ou explorar o papel de gênero que é consistente com sua identidade de gênero têm melhores resultados de saúde mental do que aqueles que não são (3, 4, 5).


Por Zinnia Jones. Tradução de Beatriz Pagliarini Bagagli.

O processo pelo qual os adolescentes trans procuram e acessam tratamento médico para a transição, incluindo bloqueadores de puberdade e/ou hormônios, é um dos assuntos mais amplamente incompreendidos na imaginação pública. O início do tratamento é frequentemente descrito como algo caprichoso, uma decisão tomada precipitadamente por jovens que podem simplesmente estar passando por uma “fase”, com pouca ou nenhuma consideração profunda de seu significado e impacto; seus pais são vistos embarcando nisto em função da coerção de ameaças de suicídio, ou então envolvidos eles mesmos em uma suposta “moda”; os clínicos que apoiam os jovens trans são, por sua vez…

Bia Pagliarini Bagagli

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